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BRASÍLIA x PARIS

Comparar cidades nem sempre é pouco auspicioso. Cada metrópole, cidade ou lugarejo tem características peculiares, é verdade. Mas fiquei orgulhoso, como brasiliense de coração, ao ouvir uma comparação, dias atrás. Numa noite de autógrafos no espaço Assis Chateaubriand, no Correio Braziliense, falávamos sobre o aumento do número de salas de espetáculo teatral e de muitos outros espaços destinados à arte, à cultura e ao entretenimento. “Brasília está se tornando uma nova Paris”, disse-me o meu amigo Heitor (o craque do teatro do improviso. Não, não ... do imprevisto). Pensei nisso. Paris é uma cidade luz num amplíssimo sentido, mas o é principalmente no sentido cultural. Brasília, capital do terceiro milênio, merece a comparação e, nisso, há um importante pormenor: Brasília é linda, fácil e acessível, com seu traçado urbanístico magistral e incomparável. E ha muitos espaços atualmente mal utilizados – característica da maturidade – quando a cidade alcança seus 50 bem vividos anos. A no...

INTERPOETAR

. Minha língua rala a roçar Tua língua rica e densa. Corações a arquejar Enricam nossa mente sana. Estamos nós nos nus Risos desavergonhados Sob (des)preconceituosa pele Em rima nossa vida pulsa. Versejando convalescemos. O verso do verso de noss’alma É termos essa outra ala. Bradamos por poético orgasmo Em cada verbo, em cada frase, Ou quadra, de amor impregnada. .

IMAGEM

. Visível, real, na multidão o vulto. Negros caracóis toldando o escopo, Encobrem o derredor dos ombros. Fito-o, o sobrolho me contrai, Focando em zoom a fugidia imagem. Esgueiro entre os transeuntes. Nem sons, nem cores. Arrepio, adrenalina corre, E a presa sente-se caçada Relaxo a gozar o lindo instante. Tentando achar perdida compostura, Ensaio dizer-lhe umas frases doces Mas quando faço pose de poeta, Se distancia num mover discreto, Deixando gosto estranho de até nunca. Tempo depois, desiludido aguço o olfato, No ar ainda paira o cheiro dela. Esse maluco desencontro mágico. .

MENTE

Dispersa e ruidosa de dia, A mente é como um mercado. Deserta, silencia e se aquieta, Assim que o sol é guardado.

SAUDADE

A saudade nocauteia-me. Peia-me o peito, voa a mente. Atenho-me a remoer minúcias. Está distante meu maior deleite. Mas, se me infelicita um amor ausente. Estraçalha-me sórdido desamor presente. E, se a queixar-me, Ergo aos céus minha loucura, Recebo em paga inda pior ventura. Oscilo entre dois patamares: Ora as doçuras do amor, Ora o fel da saudade.

Busca da Ventura

De joelhos, rendo-me: Num pináculo hasteei mi’a ventura. Em intempestiva busca do arrebol, Desmereci a felicidade ao encontrá-la. Antegozando glória incógnita Na ferrenha fuga da inocência, vi: Nela resume-se a felicidade apetecida. E, quanto mais se busca, dela mais se foge. Fui Napoleão de mil conquistas sorvidas, Crepitando em amargura, ao crepúsculo, Horripilando em lancinantes muitos ais. Ou, entre os descartes que valem vida, Buscando quinquilharia, um catador, Que, ante as maravilhas, se arrebata.